sábado, 16 de junho de 2007

by night


Eu joguei pedra na cruz! Ou comprei os pregos, só pode.
Fomos, as três moçoilas alegres, rumo a balada da agenda. Cedo que era para pegar uma mesa que as madames não estavam dispostas a ficar de pé naquela muvuca.
Pois bem, escolhemos uma bem boa, perto da banda, que já somos chegadas num fuzuê. Acontece que na nossa frente uma criatura que também foi mais cedo, juntou logo três mesas. Já vimos que a turma era grande. Mas não carecia ser tanto. E a cada minuto chegava mais e mais gente para aquela mesa comemorativa.
A minúscula que vos fala sentou-se exatamente na direção da bunda gigantesca de um cidadão que deveria ter o bom senso de deixar a metade daquela mala em casa. Pois a criatura dançava praticamente no mármore da nossa mesa. A esta altura duas amigas juntaram-se a nossa pequena troupe. Era necessária uma ação rápida para aquela bunda tomar consciência do seu tamanho. Pois mulher é um bicho muito sacana. Exatamente onde aquela protuberância teimava em rebolar fez-se uma armadilha na forma de mistura de azeite de oliva, molho de pimenta e coca-cola. Pelo menos aquele infeliz teria o desprazer de ver seus fundilhos devidamente carimbados.
No meio desse trelelê uma ida ao toilette era de bom tom e daria um refresco naquele clima de oriente médio que estava se desenhando ali. Ah, que ilusão. Encontro rápido com amiga de velhos tempos. Pobrezinha, tinha acabado de descobrir uma traição muito sem-vergoha de um marido mais sem-vergonha ainda que foi flagrado com ninfeta com idade para ser sua neta. Dá para imaginar o estado de espírito da colega.
Claro que não faltou solidariedade. Até uma que estava só passando um batonzinho juntou-se aos comentários dando a maior força. Coisa dessa mulherada tarimbada nesses assuntos.
- "Calma querida, no começo é esse desespero mas depois passa".
- "Liga não, pensa que o miserável é sério candidato ao Oscar de efeitos especias na testa".
- "Claro, imagina que estás livre daquele purgante, cheio de manias, ranzinza e mal humorado".
E por aí seguiu-se um consultório sentimental naquele sacrossanto recinto onde as mulheres vão até para fazer xixi.
Eu já estava achando que eram muitas emoções para uma noite só. Mas ainda vinha mais coisa.
Voltei ao meu lugar, ali quietinha, e aquela bunda surreal continuava lá, impávida. Agora já muito mais à vontade. Praticamente sentou-se no meu ombro. Euzinha ali tentando manter um mínimo de dignidade, mas estava difícil. Até que chegou mais um amigo que conseguia ser ainda mais espaçoso que o bundudo. Bom, como sou moça fina, não ia cair do salto assim sem mais nem menos. Só me virei e encarei aqueles selvagens com a minha arma de guerra que consiste em apenas um olhar com a sobrancelha esquerda erguida na altura do Monte Everest e um afastamento da cadeira exigindo mais espaço. Digamos, um petit piti. Fulminante.
Enfim uma trégua. Só que como sabemos, dois corpos não ocupam o mesmo espaço. É uma lei da física que foi sendo testada noite adentro. Pois, se saíram do meu lado, foram para cima, literalmente, da amiga da cadeira ao lado.
Além do derrière monumental, os cotovelos também auxiliavam no embate. Sim, porque aqueles volumes eram dinâmicos pois dançavam. E tome bundada e cotovelada. Aí o caldo engrossou de vez. A moça em questão partiu pra porrada. E foi um bate-boca digno de feira livre, não sendo descartada a hipótese de uma garrafada nos cornos do folgado. E isso tudo que a noitada em si estava desanimada.
Na saída avisei à gerente da casa que não deixasse de cobrar couvert dobrado daquele monstro que aquela bunda ocupava espaço de mais de uma pessoa.
Nem esperamos acabar. Pagamos nossa conta e saímos dali rapidinho antes que a refrega acabasse na polícia.
Outra dessas não me pega nem por decreto.

7 comentários:

Sergio Gouveia disse...

Agora você está começando a entender a razão de eu só ir ver shows em teatros, não?
Mesmo assim...
Rarará... Dá pra imaginar a bunda que tinha seu próprio senador!...
Beijo.

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Sil, eu nem ia fazer comentário nenhum, mas ao ler sobre tua "levantada de sobrancelha", tive um ataque de riso, lembrando de Floripa, num certo café da manhã, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Essa "levantada de sobrancelha" afasta qualquer elemento indesejado, POBRE BUNDUDO!!!!!!!!!
Beijócas querida, estou adorando te ler!

Unknown disse...

Que noite mais atribulada!!!!kkkkkk... Eu imagino essa levantada de sombrancelha como a que meu pai dava pra mim quando eu aprontava ... FULMINANTE!!!kkkkk..
Adorei!
Bjocas

Unknown disse...

Silllllllllll,
Eu aqui também dando ataque de risos ao imaginar essa cena kkkkkk.
Só de pensar que sua sombrancelha quase faz com que a moça,o bundudo,o colega do bundudo fossem parar na delegacia ...é hilário.
Espero que vc volte lá na próxima semana e nos conte se o bundudo se tornou freguês assíduo.
Essa é muito boa!!!! ha ha ha ha
Beijocas

Anônimo disse...

Silzinha

foi recente esse acontecimento, ou ainda do tempo que saíamos na night, tipo amigo fritz, tubulão?kkkkkkk

beijos Maria Helena

SANDRA disse...

Sil, adorei. Tô aqui morrendo de rir só imaginando a cena de vocezinha atrás desse mequetrefe fenomenal, kkkkkkkk
Parabéns.

Anônimo disse...

Silzinha,

Estou aqui num intervalo da aula de ingl^es e aproveitei o tempo para entrar no seu blog. Adorei a cr^onica do circular senhor! V. esta' escrevendo de uma maneira bem divertida e leve.
Estarei ai' em Floripa no in'icio de agosto. At'e la'. Beijos, Lia S.